Justiça por Maria Aparecida Clemente: acusados do homicídio vão à júri popular

Os acusados pelo homicídio qualificado da Promotora de Justiça do MPPE Maria Aparecida da Silva Clemente, enfim, vão à júri popular. José Aderval Clemente, Emilson dos Santos Davi, Luciano Pereira da Silva e Alberto Carlos da Silva são acusados de, em 7 de abril de 2001, terem assassinado a promotora de Justiça aos 43 anos de idade. A juíza Ana Cecília Toscano Vieira Pinto, da Vara Criminal de Igarassu, pronunciou sobre a denúncia do Ministério Público de Pernambuco e, após analisar todos os autos, mostrou convicção quanto à materialidade do crime e quanto aos indícios suficientes de autoria, de forma que os acusados devem ser submetidos a júri popular.
A Promotora de Justiça Ana Clézia Nunes, designada para atuar no processo junto ao Promotor de Justiça natural, José Soares, chama atenção para a estratégia do acusado como mandante do crime de evitar o julgamento. “O acusado como mandante apresentou diversas versões quando ouvido no curso da investigação, mas há elementos de prova de que ordenou a morte de Maria Aparecida que merecem ser conhecidos e julgados pela sociedade. Desejo sinceramente que o julgamento não seja mais retardado, mesmo sabendo que poderá persistir a postura de continuar buscando evitar ser julgado, objetivando a prescrição do crime. O Ministério Púbico persistirá no caminho contrário, buscando por justiça”, afirmou Ana Clézia.
“Vinte e dois anos após a prática desse crime brutal, recebemos com serenidade e alegria a notícia da prolação da decisão de pronúncia. É um marco processual importante, porque interrompe a prescrição da pretensão punitiva do Estado e encerra a primeira fase do procedimento bifásico dos crimes dolosos contra a vida. Cabe-nos continuarmos vigilantes, para que a justiça seja feita e a memória de Maria Aparecida reparada. Pior do que justiça demorada é justiça denegada”, destaca José Soares.
A Associação do Ministério Público de Pernambuco, entidade de classe que congrega promotores e procuradores de Justiça do Estado, pede celeridade para que o caso da colega Maria Aparecida Clemente seja levado à júri popular. Acreditamos que o desfecho deste caso mostrará respeito à memória da promotora de Justiça cruelmente assassinada. Seguimos firmes na luta contra o feminicídio!
Quem foi Maria Aparecida Clemente
Maria Aparecida da Silva era natural de Água Preta-PE, e tinha 27 anos de idade quando iniciou o exercício como promotora de Justiça da Comarca de Flores, em 17 de maio de 1982. No mesmo ano, alterava a ficha funcional, por meio de despacho do procurador-geral de Justiça, Portaria nº 335 de 7 de julho de 1982, acrescentando o sobrenome de casada Clemente.
A promotora atuou também nas Comarcas de Limoeiro, Toritama, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes até chegar à Capital. Era a 26ª promotora de Justiça Cível do Recife, com atuação na Vara da Fazenda Pública, de postura calma, voz agradável e marcante, como os colegas a descreveram.
*Com informações do MPPE